sábado, 15 de novembro de 2008

SANTIDADE NECESSIDADE E NÃO STATUS:
COMPROMISSO DA MENSAGEM DURANTE CINQUENTA ANOS NO BRASIL


Somos uma igreja de santidade. Foi com este princípio que a Igreja do Nazareno chegou a terras brasileiras e ao longo de cinco décadas tem carregado afinco o compromisso com a mensagem de salvação e de santificação na vida do homem. Sinto-me privilegiado em fazer parte de uma geração, cuja história do seu início, pude conhecer e conviver com homens e mulheres com um coração ardente em santidade: Dr. Mosteller e Dª Glades, Dr. Gates e Dª Joana, Dr. Wood e Dª Margarida, Dr. Collins e Dª Frances , Rev. Kratz (in memorian) e Dª Carolina, Rev. Heap e Dª Brenda., Rev.Joaquim Lima (in memorian) e Dª Guilherminda

Fazer esta caminhada não foi nada fácil em se tratando de contexto brasileiro. Terra que expressa uma alta inclinação para “santo”: o santo padre, os santos mártires, a santa missa, a santa virgem, o pai de santo e tudo vira santo na religiosidade brasileira como demonstração, ao menos, de uma afinidade com o sagrado ou do que se pode dizer ser sagrado.

Mais do que uma religiosidade de afinidade, a mensagem para ser santo expressa a mais nobre expressão de vida que qualquer pessoa possa desfrutar em sua vida terrena. Ser santo, expressa o estado em que se deve encontrar o homem diante de Deus e dos homens.

Esse tem sido o grande diferencial no meio dos cristãos para os momentos históricos desta primeira década do século XXI, onde teve na semeadura nos idos de 1958 o que proclamar, Santidade ao Senhor, não era somente um refrão para ser esculpido no logotipo da denominação, mas era a ordenança que deveria ser buscada e vivida e que faria a verdadeira diferença do remido nestes tempos complicados e desesperançosos da humanidade.

Num dos hinos lema, a Igreja do Nazareno, entoa em sua estrofe “É santidade ao Senhor, hino e senha....” Hino, me faz lembrar os valores que se deseja entoar e firmar como esteios de uma vida com Deus e, senha, por aquilo que me dá acesso ao Criador sem restrições e, sem a qual ninguém poderá vê-Lo “...sem a santificação ninguém verá ao Senhor”.

Não é de se estranhar porque hoje no contexto brasileiro a Igreja do Nazareno em sua comemoração cinqüentenária tem trazido um impacto grande nos quatro cantos desta nação. Somos cem mil que deixaram as trevas, o pecado e a desesperança eterna e procuram levar à cabo a mensagem na prática como o sustentáculo da vida cristã. Em dias que a pobreza espiritual, a mescla do profano com o sagrado, o triunfalismo como esperança , as distorções religiosas e a inversão dos valores da vida se tornaram os convidados desejáveis em muitos cantos do protestantismo-religioso-sincrético brasileiro como a teologia do mercado espiritual e suas várias opções rotuladas com as ideologias religiosas de cada um. “Sede santo” foi o diferencial usado na carta primeira do apóstolo Pedro e tal imperativo ´não se alcança por uma separação ritual da impureza, nem por uma consagração formal ao serviço divino, senão pela recepção da santidade de Deus por meio de Cristo” já dizia Nicholson.

A grande verdade sobre isto é que santidade não é um cartão que o cristão carrega em sua aderência a denominação, nem tão pouco o ativismo das obras que exercemos muito menos a obrigatoriedade requerida pela Igreja. Não! Santidade é uma necessidade de sobrevivência para todos os que se alia com Deus na recusa do pecado, no amor ao próximo e na busca pela eternidade com Ele. Sim, esta é a teologia que devemos adequar a nossa realidade como cristãos e nazarenos que somos, pois ela deve fazer parte da minha essência de vida como se fosse algo que precisasse para sobreviver e não somente para estampar na história na qual comemoramos.
Madre Tereza de Calcutá foi inquirida por um repórter, uma vez, porque o povo a clamava: santa, santa, santa. Ele a perguntou o que ela achava sobre o status que a davam. Sua resposta foi firme, sábia e prática. Santidade não é um status, é uma necessidade.

O cinqüentenário da Igreja do Nazareno veio firmar que não basta somente um crescimento religioso debaixo da égide de santidade, mas que cada um dos cem mil nazarenos permaneça dignamente em santidade de atitudes, palavras e raciocínio e esta será a mensagem que a nação brasileira ouvirá., para que 2058 a comemoração centenário seja de 1 milhão de nazarenos vivendo, proclamando e entoando – Santidade ao Senhor agora e sempreeeee........ Amém.

ERSilva
Vice-reitor do STNB

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A SEMELHANÇA DE CRISTO: CRENÇAS E EFICÁCIA HISTÓRICA

O artigo abaixo foi escrito para a PRIMEIRA CONFERÊNCIA TEOLÓGICA NAZARENA IBEROAMERICA, San José, Costa Rica – 18 e 19 de outubro de 2004. Creio ser pertinente compartilhar neste momento atual para a nossa reflexão ministerial.

O tema é uma perspectiva do que se espera de qualquer cristão que recebe e segue a obra de nosso Salvador e Redentor Jesus Cristo. Traz em si um cunho tanto teológico como prático para a vida da comunidade cristã, a fim de compreender que o significado de ser “semelhante a Cristo” expressa uma identidade comparativa de um ser com outro.

No livro de Mateus, Jesus compartilha, com os discípulos, que ser semelhante a Ele implica segui-lo no mesmo caminho ao Calvário: “quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (Mt. 10:38). A clareza nestes dizeres ressalta que o caminho de cada membro integrante do Seu reino deve ser o de abnegação dos valores do mundo, da transitoriedade do homem e da contemplação passageira. Calvário é o lugar onde todos se tornam semelhantes a Cristo.

Sem o calvário, não existe possibilidade de esta semelhança ser uma realidade concreta na vida cristã. As implicações da semelhança se tornam patentes, quando não somente seguimos, como também estamos dispostos a fazer as mesmas coisas que Ele fez. “Não tomar a cruz” é “não estar disposto a sofrer morte de mártir, como um criminoso sentenciado, forçado a levar o madeiro da cruz ao lugar de execução” (Tasker, 1999:87); consecutivamente, é não aceitar a condição de tornar-se semelhante a Ele.

Nas cartas de Paulo, ser semelhante a Cristo é estar morto para si mesmo. “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gal. 2:20). Ao escrever esta passagem aos gálatas, a semelhança em Cristo se evidencia na mortificação do próprio eu. O reflexo da vida de Cristo produz, em cada integrante do reino, uma concreta identificação, que começa a fazer parte do momento em que estabelecemos a “união com Cristo” (Howard, s/a:91) neste mundo e tem seu ápice na eternidade. “Cristo em vós a esperança da glória” (Col. 2:14). Não existe espaço para o “eu” dentro da teologia paulina. Ou o “eu” está vivo ou o “eu” está morto. Se o “eu” está vivo, a semelhança de Cristo é utopia, se o “eu” está morto, a semelhança de Cristo é uma veracidade.

Assim, “em Cristo” será uma das expressões predileta de que Paulo fará uso em sua teologia, para mostrar à comunidade da igreja que não existe, em momento algum, o comparativo de semelhança com Deus, sem a plena cruz, por trás de cada um de nós. As implicações, ao se fazer uso da expressão “em Cristo”, refletem que ser semelhante a Ele implica em unir-se a Ele por completo e obter na vontade, pensamentos e emoções resultados idênticos ao Deus-homem que morreu na cruz.

Na carta de Pedro, semelhança a Cristo está associada a “santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração” (I Pe. 3:15ª). O recurso aqui apresentado é que o cristão só passa a ter uma identidade completa com a pessoa de Cristo, à medida que em sua vida há um mover “não somente em reverenciar e honrar a Deus, mas glorificá-lo mediante a obediência aos Seus mandamentos” (Hill, 1972:136). Isto é a tônica em toda a carta petrina, que procura demonstrar que a práxis da vida cristã torna-se identificável, com o Salvador, quando cumprimos em nós o que Ele disse e fazemos o que Ele fez em todos os trajetos da sociabilidade em que estamos envolvidos, como servos, cristãos e cidadãos.

Pedro não está muito preocupado com as prováveis mudanças que poderiam ou deveriam ocorrer na sociedade, nos idos 60 a 65 d.C., mas com a vida interior de cada cristão como reflexo de Deus na comunidade dos viventes . Como diz Elliott “a mudança proposta não dizia respeito às estruturas da sociedade, mas às atitudes do coração e da consciência “( Elliott, 1985:78) expressas anteriormente nas passagens de I Pe. 2: 19-20; 3:3-4 e posteriormente em I Pe. 4:15-16,21.
Mas, se o pensamento de Jesus, Paulo e Pedro trouxeram a essência teológica do cristianismo da semelhança de Cristo, o que podemos refletir sobre estes conceitos na prática, para a igreja atual?

No ministério

Uma pergunta coloca em ênfase a nossa responsabilidade ministerial: estamos ensinando, pregando e vivendo na igreja e na sociedade como pessoas que expressam a verdadeira semelhança de Cristo?

Cremos piamente que muitos têm exercido esta prática bíblica e transformadora de vida, porém também, esta não é a realidade de muitos. Religiosidade tem se tornado a capa, que esconde a superficialidade, o desleixo e falsa piedade, da falsa aparência da semelhança de Cristo. As ações sempre acabam revelando o que se encontra no coração do homem que se opõe a Cristo e, fatalmente, irá de encontro ao que se prega e ensina. Na história vamos nos deparar com situações como esta. Paulo dirigindo-se aos Coríntios escreveu:

“... irmãos não vos pude falar como a espirituais e sim como a carnais, como a crianças em Cristo... porque ainda sois carnais. Portanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem. (I Co. 3:1-3).

Simplesmente demonstrou que certo número de irmãos, por mais que fizessem parte de uma comunidade de Cristo, não eram semelhantes a Cristo, não viviam uma vida semelhante a Ele. Eram pessoas que tomavam atitudes como qualquer homem natural e aliavam à vida cristã práticas que contradiziam o que professavam, sem a menor preocupação de autocrítica. Lutero não teve a intenção de mudanças, a não ser no coração, pela Palavra de Deus, daqueles que se encontravam na condição de conduzir a igreja em conformidade com Cristo.

Na atual conjuntura, o que significa conduzir o ministério à semelhança de Cristo? É ter o ministério, família, interesses pessoais e materiais e a valorização do próximo fora do propósito de glorificar a Deus. Os puritanos viam “a família, a igreja, o Estado, as artes e as ciências, o comércio e a indústria e o envolvimento das pessoas nestas diferentes circunstâncias como as diversas áreas nas quais, o Senhor e Criador de todas as coisas poderia ser glorificado e servido” (Hulse, 2004:26). Isto é ministério à semelhança de Cristo.

O caminho do Calvário nunca foi atrativo, pois obedecer inclui sacrificar o próprio “eu” e a “santidade implica separação da desobediência e da incredulidade” (Mcknight, 2001:8-9). Aliás, Finney falava com muita propriedade, quando comentava que: “Ninguém pode ser cristão, se a não desejar sinceramente (a santidade) e não procurar constantemente obtê-la...” (Wood, 1965:132). Infelizmente, esta condição é uma realidade que muitos vivenciam no seu ministério, independente da linha histórica de que provém a igreja. Por isso, alguns têm se posicionado no grito de chega! Precisamos de uma reforma na reforma, já dizia Caio Fábio, há um tempo.

Carecemos retornar aos princípios bíblicos de santidade não somente para o conhecimento, creio que já o temos suficiente, mas também, para que, na misericórdia de Deus, o coração se faça semelhante ao de Cristo e homens e mulheres, na responsabilidade de conduzir o rebanho, se tornem assemelhados a Ele, ao demonstrarem sua “preocupação em determinar os detalhes de sua vida – no lar, na igreja, no mundo – de modo que agradem a Deus” (Pink, 2003:3). Este é o ministério que nos identifica com Cristo, o princípio de santidade e a condição de ser semelhante a Ele.

Na igreja


É notável, nos dias atuais, que a igreja, corpo de Cristo, não tem se submetido, às vezes, a estes princípios. A idéia da semelhança de Cristo parece mais retórica de púlpitos, temas de livros ou algo que simplesmente subsiste na mente, mas não no coração. Os imperativos “não pequeis” (I Jo.2:1ª) e “sede santos”(I Pe 1:16) não têm sido os temas prediletos no fórum de audiência da igreja, que conduzem a uma reflexão e tomada de posição na conquista da semelhança com o Salvador.

A expressão de Jesus “toma a minha cruz, projetando o calvário à frente” é bem definida por Paulo como morte do “eu” e por Pedro, como vida espiritual – santificação. Mas será que estes pronunciamentos bíblicos, que sinalizam a nossa conduta, como igreja, diante de Deus e dos homens, estão sendo observados e praticados no presente século?

Concordo plenamente, quando dizem que a igreja tem chegado há dias, que não tem expressado o verdadeiro sentido de identidade com Cristo. A identidade cristã pode estar mais associada a um ajuntamento de pessoas com o título “crentes”, do que o reconhecimento de sermos a imagem que reflita a de Cristo, na essência de nossa mensagem de santidade e a da aplicabilidade dela em nossas vidas.

As raízes históricas de santidade, em que a igreja do nazareno caminha, não são suficientemente a essência que leva a igreja a ser santa no momento histórico em que vivemos. A história passada mostra a origem do movimento de santidade e como moveu a vida da igreja naquela época e, isto foi fundamental no passado; agora, serve de exemplo a ser seguido. Precisamos, porém, resgatar a busca do coração sem pecado e a purificação pelo Espírito Santo e a inteira santificação em nossa história presente, para um futuro promissor. A igreja, noiva de Cristo, deve estar perfeitamente movida, não somente no kerigma de santidade como também na koinonia e práxis de santidade. O pensamento de Wesley nunca foi fugir do “foco da necessidade sua de santidade” (Heitzenrater, 1996:218). Da mesma forma, devemos ter isto em mente e no coração como igreja: que precisamos de santidade sempre.

Portanto, estamos em plena harmonia que a semelhança de Cristo deve refletir em nós o Seu amor, sua compaixão, sua mensagem de salvação, seu modelo disciplinador e sua mensagem de santidade, porém devemos entender que por trás disto tudo deve haver antes o calvário, a morte de si mesmo e santificação de vida. Estas foram as raízes históricas de santidade deixadas por Jesus e pelos apóstolos à igreja. Sem medo de errar, é o único caminho que nos transforma à imagem e semelhança de Cristo dentro da nossa história presente.

Bibliografia

Elliott, John H. Um lar para quem não tem casa: interpretação sociológica da primeira carta de Pedro. São Paulo: Paulinas, 1981.

Hill, David. The Gospel of Matthew. Grand Rapids: Eerdmans, 1972.

Heitzenrater, Richard P. Wesley e o povo chamado metodista. São Bernardo/Rio de Janeiro: Editeo/Pastoral Bennett, 1996.

Howard, Richard E. Novedad de vida: um estúdio em el pensamiento de Pablo. Missouri: Kansas City.

Hulse, Erroll. “Os puritanos”. In: FÉ PARA HOJE, nº 23, ano 2004.
Mcknight, John. “A santidade de Deus: a raiz da separação eclesiástica”. In: FÉ PARA HOJE, nº11, ano 2001.

Mueller, Ênio R. I Pedro: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1988.

Pink, A. W. “Santidade prática” In: FÉ PARA HOJE. nº 12, ano 2003.

Tasker, R.V.G. Mateus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

Wood, J. A. O perfeito amor.Campinas: Editora Nazarena, 1965.

Por
Eduardo R. da Silva
Vice-reitor do STNB

terça-feira, 29 de julho de 2008

UM QUADRO DA “IGREJA” DOS ÚLTIMOS TEMPOS

A declaração que Mateus faz em seu evangelho 24:4-14 nos obriga a pensar seriamente sobre as questões que envolvem a igreja de Cristo Jesus em tempos atuais.
Passamos a entender o que Mateus definiu como “princípios das dores”. Um alerta bem definido a fim de indicar os preparativos para a volta de Cristo Jesus, o arrebatamento da igreja e o estabelecimento do seu reino eterno.

Não muito distante disto, o quadro que até o tempo do discípulo era escatológico, se concretiza no presente momento da era da igreja do século XXI. Os acontecimentos catastróficos que ocorrem no mundo são ímpares na história da humanidade. Fome que assola grande parte da população mundial, guerras e rumores de guerra que ecoam por todos os continentes, inclusive a América do Sul. Terremotos e Tsunami que têm arrasado os países da Ásia, EUA e mais efetivamente o Brasil, onde até pouco tempo as afirmativas dos geólogos eram de uma impossibilidade de tremores em solo brasileiro por ser a placa tectônica muito antiga.

Mas que relação tem a ver as questões das turbulências mundiais e do retorno de Cristo, com a Noiva de Cristo? Muito a ver. Por que na sua primeira instância Cristo vem conduzir a Igreja até a Sua presença nos ares e isto indica que a Igreja será primeira a receber avaliação, julgamento, reprovação ou aprovação quando este momento histórico da humanidade, citado por Mateus, se fizer totalmente evidente no “mundus vivendi” da humanidade.

O apóstolo João define em Apocalipse características das igrejas para dar um alerta das condições negativas que algumas podem ser envolvidas e não perceberem as reais condições que a conduzirão a um estado de reprovação diante de Cristo. Destas, desejo destacar a Igreja de Laodicéia e o que nela deve-se ter o cuidado de evitar para não estar desqualificada nos tempos derradeiros que se aproximam.

A- OBRAS QUE NEGAM A EFICÁCIA DA GRAÇA –v-15


Quando o apóstolo define a palavra morno para a igreja, sua idéia enfatiza que o perigo se encontra por não possuir uma definição: ou há frieza da hostilidade ao evangelho ou há rejeição da fé, ou há perda do zelo e fervor.

Quando somos indiferentes aos princípios de Deus para a nossa vida, nossa atitude e ações negam completamente a eficácia da graça de Cristo em nós. O que fazemos o que falamos o que cremos emitem um som descompassado com a verdade bíblica. O que dizer dos acontecimentos acentuados que se manifestam de forma ativa no corpo de Cristo no desenfreado índice de traições, mentiras, roubos, escândalos variados, ausência de compaixão, mente maquiavélica, e etc?.

O grande escritor CSLewis disse uma vez em um dos seus clássicos entitulado “Cartas ao Inferno” ao descrever a narrativa entre o tio e o sobrinho (demônios personalizados na figura de Morcegão e Cupim) que se correspondiam, quando o tio diz ao sobrinho que “procurassem tirar do centro da mente do cristão tudo aquilo que era princípio e jogasse para a periferia de sua mente e tudo o que era superficial jogasse para o centro de sua mente”

Quais são os princípios da Palavra que se têm deixado na periferia da nossa mente? Não é exatamente por isso, que tantas superficialidades têm tomado espaço e conduzido a Igreja a ações sem a eficácia da graça?
As nossas obras são ditadas pelo nosso posicionamento e convívio com Deus. O que somos, somos pela referência em nossa prática convivencial com o Criador. - frio, morno ou quente.


B. PODER QUE SE ESTABELECE NAQUILO QUE É TRANSITÓRIO – v-17

O segundo momento que João traz como alerta é quanto à questão do poder.
O lugar onde se encontrava a igreja de Laodicéia era um lugar próspero. Possuía um florescente centro financeiro. Não era de se esperar que este fosse uma das colunas que a igreja encontrou para se mostrar poderosa, forte, com voz ativa para determinar sobre as vidas de pessoas e para exercer cegamente suas atividades espirituais em nome de Deus.

A igreja do presente século, caminha a passos largos para o mesmo erro. A priorização, não se encontra no poder do Espírito Santo, mas no poder das condições transitórias humanas. O poder aquisitivo acentuado, os templos suntuosos, o materialismo como plataforma da benção divina e o “eu” como o senhor são as veias que conduzem o que é transitório a algumas igreja.

Num paralelo com Atos 3, o discurso de Pedro se mostra diferenciado pelo poder do Espírito. “Não tenho prata nem outro, mas o que tenho, isto te dou: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda” (Atos 3:6). O poder da Igreja ainda se encontra no poder do Espírito Santo. A operosidade de Deus só se faz presente quando Ele mesmo é o centro das atenções. Não é o poder humano no ter que faz a igreja de Cristo ser poderosa. O poder que Deus deseja de sua Igreja hoje é o poder que Ele mesmo possa se manifestar por meio da vida de cada membro, não pelo que se tem, mas pelo que se é na misericórdia de Cristo Jesus

C- SALVAÇÃO A QUALQUER PREÇO NÃO REPRESENTA A VERDADE DE CRISTO –v-18

Os dias são dias amargos e de confusão no campo da verdade. O momento que a igreja vive é de turbulências nas questões espirituais e teológicas.
Se por um lado a ênfase hoje é da salvação vendida a qualquer preço, do outro, o preço não é um qualquer segundo o apóstolo amado. A expressão “aconselho-te que de mim compres ouro provado” (Ap. 3:18ª) é um convite a Igreja buscar aquilo que é puro ao extremo, sem escórias.
No presente momento, a teologia e o espiritual têm sido assoreados pelas inverdades de uma hermenêutica de interesse dos falsários da fé.
Não é somente uma questão de mundanismo, como se costuma dizer,. Mas é muito mais profundo. Foi aquilo que Paulo chamou de Filosofia (Col. 2:8), ou como explica Ralph Martin “dominar os segredos do universo mediante seu conhecimento” (1991, p. 89)[1]. A teologia bíblica passou a ser, para estes, um campo de domínio que expressa os conhecimentos inverídicos da religião por meio da Palavra de Deus. Infelizmente, a similaridade da Igreja do século XXI com Laodicéia é indiscultivel.

Conclusão: Precisamos entender quais são as prerrogativas que a igreja deve estar alerta para estes dias, se não finais, próximo do que Mateus no relata.
- A Palavra (verdade) deve ser adquirida porque é a única verdade e seu brilho nunca apaga.
- A santidade (pureza) deve ser o que cobre a vida do participante da comunidade cristã
- A visão (clareza) espiritual seja restabelecida para enxergar as grandezas de Deus.

Como igreja não podemos desaperceber destas coisas, pois elas nos desqualificaram diante do Autor e Consumador de todas as coisas. Que possamos como igreja estar em vigilância e tomar as devidas providências do que ocorre no meio da koinonia. Igreja não é mera reunião de pessoas com seus destinos na pobreza espiritual, mas pessoas destinadas a viver uma riqueza espiritual terrena e eterna com Deus.

Eduardo R. da Silva
Vice-reitor da STNB


[1] Colossenses e Filemom: introdução e comentário. Mundo Cristão

sábado, 26 de julho de 2008

A IGREJA DO NAZARENO EM CABO VERDE ESTÁ EM FESTA: tributo a um grupo de ministros que alcançam o seu bacharel em teologia em parceria com o Brasil.

No dia 16 de agosto de 2008 participaremos de uma grande celebração na Igreja do Nazareno em Cabo Verde, mais precisamente na cidade de MIndelo. Além da grande mobilização com a Assembléia Distrital, momento culminante onde serão entoados glórias a Deus pelo crescimento e avanço da Igreja, também será um momento de júbilo e de alegria com a colação de grau de 39 pastores em bacharel em teologia e 2 pastores no programa de médio em teologia.
Ao longo de 11 meses de preparativos e estudos, o programa oferecido pelo Seminário Teológico Nazareno no Brasil, dispôs os alunos a resgatar o tempo perdido nos estudos teológicos e proporcionou a busca novamente dos livros, discussões, análises e da prática do dia-a-dia para uma nova visão da Igreja em Cabo Verde.
Dentro da particularidade de cada um, pode-se notar o anseio e a garra em conquistar uma preparação a mais para poder almejar novos rumos na jornada ministerial. Mas cabe aqui ressaltar o que a preparação teológica não tem por objetivo, mas o que ela contribui no ser - pessoa.
A educação teológica não tem por objetivo gerar doutores, isto é uma conseqüência de quem avança nos estudos, mas conscientizar pastores do bom preparo. Também não tem por objetivo produzir “teólogos”, mas gerar uma teologia que junta um coração com conhecimento, vida com Deus e prática, isto é o verdadeiro teólogo. A educação teológica também não visa criar líderes, mas modelar servos, porque somente com uma educação adequada, sem os “achimos” teológicos, pode-se chegar a humildade e desprendimento em servir. A educação teológica não é uma educação qualquer sem adjetivo, mas uma educação adjetivada (teológica), em que suas várias vertentes descortinam a Palavra com a perspectiva de tornar sábio o pregador. Desta forma, vejo que este grupo seleto de homens e mulheres pôde provar e vencer os desafios que ela exigiu para qualificá-los.
Sem nenhuma dúvida, a Igreja do Nazareno em Cabo Verde está de parabéns pela qualidade de ministros que possuem e que agora vêem um horizonte promissor para os novos tempos que se estabelecem. Também louvar aos membros das igrejas que incentivaram, investiram e compreenderam este momento tão singular na vida de seu pastor. As autoridades eclesiásticas que foram chaves para conduzir os pastores aos pastos verdejantes – pastor também vai a pastos verdejantes. Especial destaque desejo oferecer a pessoa do Rev. David Araújo – Superintendente Distrital de Cabo Verde e do Rev. Adérito Ferreira – pastor da Igreja do Nazareno na Praia, capital do país, os quais foram as molas propulsoras no contato com o STNB nesta empreitada inusitada.
Abaixo podemos já vislumbrar o grupo de formandos:




segunda-feira, 30 de junho de 2008

OS PROVIMENTOS DA MORTE DE CRISTO PARA A HUMANIDADE


Texto: Mateus 27: 45-56

Introdução: Pouco se tem escrito, ensinado e pregado sobre a cruz. Um dos melhores livros que li sobre a cruz foi o de John Stott entitulado "Cruz de Cristo", que trouxe na citação de Stephen Neil , "... a morte de Cristo é o ponto central da história, para aí todas as estradas do passado convergem, e daí saem todas as estradas do futuro", a centralidade da história e da teologia.
Também cruz não tem sido alvo de ensinamentos. A teologia da facilidade e do gloumor pecorre os corredores das igrejas. A via sacra da atualidade é facilitada pelo alívio de não possuir a cruz no seu trajeto. Também, pouco se tem ouvido a mensagem da cruz, pois cruz indica morte do velho homem. Ir para cruz é algo que a geração da atualidade desconhece, pois desconhece a capacidade de mortificar a si mesmo.

De um outro lado, as ênfases trazidas, na atualidade, pelos filmes sobre Jesus deixam escapar muitas das realidades sobre o verdadeiro fato da cruz. O filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson retrata o sofrimento exacerbado de Cristo e revela mais a crueldade dos algozes do que o Deus-homem se entregando por sua própria vontade para demonstrar que a cruz marcava a história do reencontro de Deus com o homem.

Não estou dizendo que o filme não tenha sua utilidade evangelística, porém não sacia as verdadeiras necessidades do homem no que foi proferida na cruz. A cruz foi mais do que um lugar de sofrimento, ela foi a providência divina para restaurar o coração da humanidade, por meio do perdão e justificação.

Ligação: Assim, na cruz podemos retratar 3 situações que Jesus deixa patente para que a cada dia o homem se lembre.

TROUXE ACESSO A DEUS –v-51

Ao olharmos para o VT, uma das situações que encontramos nos rituais da Velha Aliança era que o povo ficava à margem.
Somente um homem (Sumo -sacerdote) fazia o sacrifício e expiação nos santos dos santos. Não existia nenhuma possibilidade do contato pessoal do povo com Deus. O processo era terceriarizado.
. Hb. 10:20 "para entrar...pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou pelo véu" Rasgar traz o sentido de dividir em duas facções, ou seja, os que tomam caminho a Deus e os que não tomam este caminho
Desta forma, o sacrifício de cruz trouxe de volta o nosso relacionamento com Deus. Podemos a qualquer hora, em qualquer lugar acessar a Deus.

TROUXE VIDA –v-52

Uma outra expressão que vemos o autor relatar é que os sepulcros foram abertos e muitos ressuscitaram.
Esta é a segunda evidência que a cruz deixa transparecer para nós em relação ao seu propósito. Ela trouxe vida.
Na realidade quando o cristão olha para a cruz, ele não vê um lugar de amargura, sofrimento e desprezo. Isto é a cena dos que vislumbraram somente a superficialidade da mensagem - a morte física na cruz.
Jesus é bem claro que a cruz é lugar de ressurreição. Todos que se deixam impregnar por ela na pessoa de Cristo re-floresce. Onde havia morte passa a existir vida. Onde havia pecado passar a existir pureza, onde havia inimizade passa a existir amizade. Onde havia perdição passa existir salvação.
É desta maneira que Jesus, através da cruz, faz com os sem vida, sem esperança, sem direção ressurjam para uma nova possibilidade de seus ideais. A cruz nunca poderá ser o lugar prioritário de dá a morte, mas o lugar divino de dar a vida.

TROUXE TEMOR –v-54b

A última situação que a cruz deixa transparecer é o senso de temor demonstrado pelo centurião.
Durante 3 anos, Jesus pregou e ensinou ao povo os mandamentos de Deus. Fez milagres em seu meio. Repeliu Satanás e seus anjos, enfim demonstrou claramente que Ele era o Filho de Deus ao efetivar o ato que coroa o seu propósito – sua morte.
Porém, sempre foi do homem resistir a Deus. O processo que se inicia no jardim do Édem já era uma forma de rejeição a Deus que tomou rumo em proporções desastradas.
Os próprios judeus que conheciam os mandamentos sobre o Messias, não o identificaram como o Filho de Deus. Mesmo depois que a Igreja é estabelecida em Atos, houve controvérsias quanto a esta questão.
Para o mundo não cristão (principalmente), Filho de Deus se tornou uma expressão corriqueira sem significados em sua etimologia e poder. É bom lembrar que a expressão do centurião revela uma preocupação: o temor por ser tarde de mais.

A rejeição da cruz revela que ainda hoje milhares não conseguem ver o que Cristo fez e só reconhecerá isto quando o retorno de Cristo se fizer real. Para os que se tornam somente observadores, será alvo de terror, pois o ajuste de conta será uma eternidade longe de Deus.

Conclusão: A cruz não deseja revelar o“top line” do sofrimento do Messias. Ao contrário, revela-se como o meo da graça de Deus para com o homem. Aceitá-la implica na retificação da sentença de morte, rejeitá-la indica a ratificação dela.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

SEMINÁRIO TEOLÓGICO NAZARENO DO BRASIL: rompendo os mares do Atlântico

Posso agora mais do que nunca compreender como Deus trabalha na vida de seus filhos. As impossibilidades e as irrealidades são sempre as sombras que nos acompanham em nosso trajeto do serviço com Deus. Muitas das vezes sonhamos, mas achamos que os nossos sonhos são meramente impossíveis ou simplesmente a visualização de uma imagem do real somente no campo do abstrato.

Outubro de 2007 tive o prazer de conhecer e travar contato com e o Rev. Adérito Ferreira, pastor da igreja da Praia em Cabo Verde, que juntamente com o Rev. David Araújo superintendente de Cabo Verde estavam em visita ao Brasil. Ambos buscavam tornar possível e real o aperfeiçoamento dos pastores caboverdianos, ao abrir espaço para uma chegada do Seminário Teológico do Brasil com o bacharel em teologia. O intuito era fazer avançar os estudos ministeriais de cada pastor local. O Rev. Adérito Ferreira e eu conversarmos sobre a possibilidade de se realizar uma parceria na Educação Teológica entre Brasil e Cabo Verde. O trocar de idéias foi rápido. Confesso que naquela altura e por ser breve o momento, já que estávamos á porta do retiro de pastores em Serra Negra, a ligeireza da prosa sobre uma proposta de levar o bacharel em teologia aos irmãos da costa da África indicava que mais seria um anseio passageiro que se dissiparia com a viagem de retorno a Cabo Verde.

Três meses depois estávamos em Cabo Verde. Em fevereiro de 2008 dava início à primeira turma de bacharel em teologia na cidade da Praia. Quarenta e um digníssimos pastores e esposas, já com larga experiência ministerial, se colocavam à linha de frente para dar continuidade em seus estudos ministeriais. A primeira reação que tive foi como Deus pode fazer das impossibilidades em possibilidades e tornar em realidades as irrealidades. Quem diria que isto poderia acontecer ao tornar real e possível uma parceria educacional entre povos tão distantes apesar de se enlaçarem em raízes lingüísticas e históricas.

No presente momento, caminhamos na última etapa de um programa inusitado, onde os alunos estão finalizando suas pesquisas acadêmico-práticas e que terão seu coroamento com a formatura na cidade de Mindelo - São Vicente no dia 16 de agosto de 2008 juntamente com a Assembléia Distrital. Este será um dia histórico na Igreja do Nazareno de Cabo Verde.
Este diminuto dossiê acima, vem enfatizar o romper da Educação Teológica fora das fronteiras brasileiras e a capacidade de Deus realizar seus desígnios. Se de um lado a Educação Teológica não possui fronteiras, do outro não existe tempo perdido para Deus. O tempo para ele é a redução da eternidade, assim com a sua elasticidade. O romper o Atlântico com a formação ministerial, coloca em destaque a providência divina nas vidas de quem escolheu procurando em novos tempos e no tempo certo abrir novas perspectivas para uma Igreja qualificada e equipada para o momento histórico chamado globalização.

A Sua presciência nunca deixará de registrar as necessidades dos seus servos, muito menos deixará de lado o prosseguir avante que um povo deve somatizar para que o Reino de Jesus Cristo, em qualquer parte e em qualquer lugar, prossiga com o seu papel kerigmático e soteriológico na vida cosmos. .

Assim, a Educação Teológica se torna a ferramenta de longo e largo alcance na preparação dos ministros em pontos mais remotos do globo e que demonstra em si, os recursos para o aperfeiçoamento dos líderes, a renovação da visão ministerial, a compreensão do mundo pós-moderno, a reestruturação de estratégias eclesiásticas, a reavaliação dimensional do papel da igreja no mundo global e seu consecutivo crescimento e a conscientização que se deve ter que entre a congruência do chamado e unção, a preparação teológica é o alicerce que sustenta as colunas de uma sólida pregação e enriquece o ensino na vida da igreja. .

Gosto da expressão que o apóstolo Paulo usa a este respeito. Seu olhar é voltado para a preparação que o ministro deve possuir com a santa causa do Senhor e demonstra isto numa hermenêutica detalhada e apurada quando diz: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” II Tim 2:15.
Por isso, sinto-me alegre pela possibilidade do Brasil fazer parte deste momento histórico de um país irmão e que contribuiu muito com grandes homens que se espalho pelo mundo a fora, entre ele o próprio Brasil, proclamando a mensagem de Santidade. Portando, poder contribuir com a Educação Teológica em nível acadêmico, correspondeu e respondeu suprir as peculiaridades ministeriais do conhecimento e da prática de vida que os pastores enfrentam nas diversas ilhas.

Tenho por certo, que este avanço não somente se deu pelo programa em sim, mas pela junção de professores com um coração na visão educacional e ministerial da igreja e aqui desejaria agradecer o Rev. Felippe C. Leão, Rev. Vamir Paze, Rev. Durvil Ferro Rocha e Rev.. Dr. Geraldo Nunes Filho por abraçarem tal sonho.. Mas não estaria completo, se o grupo de pastores, de alto nível, não buscasse o interesse no saber e o compartilhar de suas experiências do seu mundus vivendi para que todo o movimento que chamamos Educação Teológica cumprisse o seu papel – “aprender juntamente um com os outros” (Paulo Freire),

À frente esperamos que este grupo de formandos possa vislumbrar uma nova etapa de sua preparação e investimentos para que a nova geração chegue na esperança de um futuro promissor

Dou graças a Deus pelo Rev. David Araújo e o Rev. Adérito Ferreira, dois grandes amigos, por todo o empreendimento que disponibilizaram durante este caminhar de sete meses, não medindo esforços, dedicação e amizade, para que o programa de Educação Teológica pudesse ser uma realidade nas Ilhas de Cabo Verde. A Deus toda honra e glória por aquilo que Ele fez e continuará fazendo no meio de Sua Igreja.
ERSilva
Vice-reitor acadêmico

quarta-feira, 18 de junho de 2008

HISTÓRICO DAS DUAS PRIMEIRAS DÉCADAS DA IGREJA DO NAZARENO


V SEMANA TEOLÓGICA:

Igreja do Nazareno: caminhando para um centenário de santidade, missão e desenvolvimento cristão.

O culto de abertura foi em 11 de agosto de 1959. Foi um evento pleno assistida pelo prefeito e muitos outros oficiais do governo, com a banda do exército providenciando a música. Uma semana de abertura de reuniões noturnas com o Rev. Cobert – evangelista visitante dos EUA, cuminando com uma freqüência de 200 pessoas no fim de semana.
Mais de 85 pessoas responderam ao convite de aceitar a Cristo como Salvador pessoal.
Um edifício de 4 andares de moderna construção foi construído na Av. Francisco Glicério na principal artéria da cidade.

Provisões foram feitas para mais de seis andares. Aqui foi situada a Primeira Igreja do Nazareno, junto com os oficiais, diretor da missão, superintendente distrital Sudeste e CNP.
Cultos tiveram início em uma comunidade Japonesa em SP e negociações foram feitas para se obter uma propriedade na nova capital Brasília. Em outubro de 1959 o trabalho em Belo Horizonte foi oficialmente abeto com o Dr. Willison presente. Em concessão com sua visita a reunião do conselho missionário foi realizada e a primeira igreja foi organizada em Campinas com 14 membros.

No tempo da Assembléia Geral de 1960, o trabalho tinha sido começado por Ronald Denton em um subúrbio da nova capital Brasília. Seus jovens tinham testificado de uma chamada para pregar.. Nos fins daquele ano (1960), o Rev. Jaime e Carolina Kratz juntaram-se a família missionária.

Eles foram seguidos em 1962 por Rev. Robert e Frances Collins que se envolveram nos trabalhos da juventude distrital e no começo da Igreja de Americana.

Anos antes, Rev. Joaquim Lima tinha imigrado de Cabo Verde para a Argentina, onde eles tinham estabelecido à obra em Bahia Blanca. Quando a Igreja do Nazareno veio ao Brasil eles foram convidados para ajuntar-se ao trabalho e tornaram-se o primeiro pastor de língua portuguesa no Brasil. Em 1975 ele tornou-se o Superintendente Nacional do Distrito chave Sudeste.

No começo, o conceito “três altos”: alto-sustento, alto-governo e alto-propagação foram fortemente enfatizados. O assunto de alto-sustento, contudo parecia ser difícil de estabelecer, talvez porque os subsídios missionários para a Igreja e pastores tinham sido esperados, mais por causa dos níveis da inflação.

O fato é que em 1970 apenas umas das 36 igrejas e pontos de pregação tinham atingido o alvo de alto-sustento. Não obstante, o total da membresia tinha alcançado 828 pessoas.
O fato de que havia somente 21 pastores brasileiros em 1970 poderia ter sido causa de preocupação se o implante de novas igrejas tinha que continuar, mas a formatura recente de vários jovens ministros promissores tinha uma perspectiva encorajadora para a igreja brasileira.
Com as várias mudanças de saídas e chegadas dos missionários, em 1973, e a partida do Dr. Mostellers, Rex e Edile Ludwing foram enviados ao Brasil e, em 1975 eles foram designados para abrirem uma área pioneira na região sul. Ela foi organizada com Distrito Sul em 1979.
Na Assembléia Distrital de 1979 em Campinas, o Dr. Eugene Stone, numa cerimônia especial, comissionou o Rev. Stephen e Brenda Heap, junto com Pr. João Artur e Ebe que foram formados recentemente pelo Seminário Instituto Bíblico Nazareno para abrir uma área no Nordeste a 2.200 Km de Campinas. A maior cidade era João Pessoa, capital do estado da Paraíba no extremo leste do estado.
Em janeiro de 1980, os Kratz mudaram-se para Natal, 170 Km ao Norte de João Pessoa para abrir a segunda igreja na nova área. Um grupo de trabalho e testemunho de Oklahoma e Kansas construíram uma igreja atrativa em João Pessoa, a qual foi dedicada em Janeiro de 1981 pelo Dr. Lewis na primeira mini-assembléia distrital.

Em adição aos missionários já mencionados, reconhecimentos devem ser dados aos trabalhos de outros que serviram por tempos curtos: Rev e Sra Roger Maze, Larry Clark, James Bond e Ronald Stamps. Em 1980 o total de membresia destes três distritos organizados eram 2.201, os quais representavam uma média de crescimento de 10% ao ano.

A seguir segue as estatísticas nas quatro áreas do desenvolvimento da Igreja do Nazareno nos cinqüenta anos de sua existência: igrejas membresia, preparação teológica e áreas alcançadas.

Dr. ERSilva
Vice-reitor acadêmico do STNB

MINISTÉRIO: UMA REFLEXÃO PARA OS DIAS DE HOJE

Tenho seriamente pensado neste dias sobre a questão do que realmente significa ministério. Boa parte dos que recebem o chamado de Deus para realizar alguma tarefa em prol do cristianismo está convicto que Deus o designa a desenvolver uma tarefa específica.

Por mais que isto seja uma realidade, a visão quanto o que se significa ministério ficou mutilada neste últimos tempos. Se o chamado nos conduz a cumprir o que denominamos de ministério, creio que é seriamente necessário rever não somente o conceito como a questão prática da atividade de todo o pastor na condução do povo de Deus .

Em primeiro lugar ministério significa no conceito bíblico serviço prestado a Deus ou às pessoas e busca como alvo a edificação do povo almejando maturidade como bem expressa Paulo em Efésios 4:7-16. A partir desta premissa, vejo que realmente o conceito e a ação prática, nos dias de hoje, foram totalmente descaracterizados do fiel significado e da incumbência que o ministério se destina.

Poderia se dizer que por definição, muitos têm no ministério o serviço prestado pela igreja e igreja como instituição. Cabe a instituição servir da melhor forma possível os seus vocacionados, não com o que é plausível da necessidade e dignidade, mas das inconveniências e extravagâncias do que dela se pode tirar. Por isso, o serviço “prestado a Deus” se torna legitimado em sua definição como à proposta do que ela (igreja) tem a oferecer. .Servir não está nem conceitualmente e nem na prática no dicionário sacerdotal de muitos que conduzem à Grei. Aliás, a regra é se servir e ser servido.

Mas o que tem levado os ministros de Deus enveredar por estes caminhos de desequilibro quanto suas responsabilidades em servir a Deus e edificar a igreja? O orgulho, prepotência e incensatez têm sido as vertentes que regem o coração de muitos. Prestam-se a se colocar como deuses intocáveis e fazem do povo sua massa de desejos e satisfação sem nenhum sentimento de culpa ou de erro. A igreja se torna o lugar não de salvação, remissão, perdão e comunhão, mas de angústia, sofrimento, desgosto e alienação de muitos, sem falar na desilusão total de outros que se re-conduzem para o reino das trevas. Quando Phillip Yancey testifica que apesar do que ocorre na igreja ainda continua cristão pode-se perceber a magnitude da declaração. Sua declaração emite simplesmente uma realidade de dois lados: a degradação da identidade do Corpo e a luta dos que formam o Corpo em permanecer fazendo parte do Corpo. O pior disto, que há uma sensação de impotência em muitos que fazem parte deste Corpo, por não ter como re-correr contra acontecimentos patentes e constatáveis que maculam sua identidade, sorvam o povo, estampam a mediocridade de uma religião que não representa a verdadeira igreja de Cristo.

Não se pode representar ministério, por uma prática que se sacia de bens materiais, que o povo se enquadra como coadjuvantes de interesses terrenos e antagonistas nos interesses eternos e que a voz da verdade seja reprimida em nome da submissão incondicional. Eu disse incondicional. Honestidade, prudência, santidade e fidelidade à Palavra são vozes emudecidas por uma incondicionalidade que a igreja deve prestar aos que no ministério se encontram e que ao violar tal exigência se vê como movimentadores de motim, hereges, carnais e opositores ao ungido de Deus.
Realmente é triste constatar que ministério passou a ser a exigência dos caprichos de alguns, que vão dos abusos de autoridade às exigências mirabolantes do materialismo que tem sido a teologia deste século.

O que temos a dizer dos escândalos sexuais, financeiros, abusos de poder que se tem instaurado no contexto da igreja brasileira? Não para por aí., a omissão e encobrimento de pecado também tem sido o manto negro da política da não ofensa e da não instabilidade estrutural. Será este o ministério a ser exercido pelos ministros do evangelho no presente século? Tudo é jogado numa “panela” e tratado em nome da “espiritualidade”. e da boa ética.

Aliás, gosto quando Ricardo Barbosa diz “que precisamos de uma espiritualidade mais teológica, que estabeleça fronteiras, que defina os contornos e que firme os fundamentos” (p.25). Entende-se o porquê de tal preocupação. Precisamos restabelecer os princípios da Palavra e pulverizar o falso ritualismo espiritual que serve de cobertura para a falsa identidade cristã.

Cada um possui uma teologia diferente da salvação, da remissão, do perdão. Cada um possui uma teologia diferente da oferta, do dízimo e do serviço. Cada um possui uma teologia diferente do namoro, do casamento e do divórcio. Cada um possui uma teologia da fé que passou a ser comprovada na conquista de bens e do status quo e não na humildade de entender que fé nada mais é do que a fidelidade perene e incondicional de Deus.com cada um de nós. Cada qual prega e exerce o que quer e o que acha conveniente para o seu próprio ego e por aquilo que almeja absorver do povo. Na realidade é o momento que dita o ritmo da hermenêutica. A manipula para dizer que ela não diz. Tudo serve para ser benção e maldição dependendo dos objetivos a serem alcançados. Não fica muito longe de se vê a perspectiva que Jesus lançou sobre os momentos finais que antecederiam a sua volta. O apóstolo Paulo declinou suas ações práticas contrárias ao evangelho no capítulo 3:1-5 da carta a Timóteo.

Estamos perdendo contornos e as fronteiras já não existem, por isso é difícil estabelecer os padrões de um verdadeiro ministério, de uma verdadeira teologia, e de uma verdadeira vida cristã. Na realidade tudo passou a ser de qualquer forma e feito a representar a expressão da verdade sem nenhum critério para o povo de Deus.
Diante de este quadro revertê-lo somente mediante à luz da Palavra, um sincero aquebrantamento de corações e da verificação humilde de quanto Deus está no meio destas coisas.. Ministros precisam entender que são apenas condutores da mensagem do evangelho entre Deus e o povo. Trazem sobre si a responsabilidade de conduzir, e bem, o povo de Deus no caminho de santidade e de salvação. Cabe conduzir o povo em unidade, cabe conduzir o povo em harmonia, cabe a conduzir o povo no trajeto certo da teologia que os faz a cada dia a viver em Cristo e Cristo neles, na possibilidade verdadeira de uma vida em santidade e serem diferentes por atitude de amor, abnegação, altruísmo, compaixão e acima de tudo por atitudes incondicionais ao verdadeiro Pastor da igreja.

Diante disto, precisamos rever os nossos conceitos e práticas do papel importantíssimo em nossa vida como homens e mulheres vocacionados ao ministério por Deus. Exercer o ministério, talvez comece por rever alguns princípios tais como uma atitude menos autoritária e mais serviçal, menos orgulhosa e mais humilde, menos espiritualista e mais espiritual, menos “eu” e mais os outros e ser menos Deus e mais homem.

Por graça somos o que somos.

Rev. Eduardo R. da Silva
Vice-reitor da FTN – abril de 2008