sexta-feira, 3 de abril de 2015

PÁSCOA - a ortopraxia desejada

Mais uma vez nos aproximamos do evento mais significativo do cristianismo - Páscoa. Certamente, as comemorações seguirão a  liturgia das comunidades religiosas ou a crença popular-materialista  A igreja reunirá para participar desta comunhão "in memória" palavras expressas unicamente no evangelho de Lucas. A crença popular-materialista seguirá suas tradições e se inclinará aos produtos comercializados comemorativos de páscoa. 

A comemoração da Páscoa,onde ocorre a ceia com os discípulos num ambiente caseiro, conduz a duas vertentes a serem trazidas cativas nos corações daqueles que seguiam Jesus, e dos posteriores "Ekklesios" que surgiriam na história da igreja. - a aliança que Deus estava estabelecendo por meio de sua morte; citada nos Sinópticos  e a sintonia que a vida deveria ter com a Nova Aliança καινὴ διαθήκη) exposta em cinco capítulos do evangelho de João a começar do capítulo 13.

Páscoa nunca foi simplesmente um ritual para lembrar o que Cristo fez na cruz.  Sempre foi muito mais do que isto;  Páscoa traz  exigências a todos os que integram a nova aliança - vocifera Cristo na comunhão da ceia. Exatamente no evangelho de João que Jesus discorre o alcance máximo de todo aquele momento aos seus discípulos. Primeiro, que a vida deve ser conduzida  cativa em humildade. Naquele cenário de comemoração da Páscoa, se encontrava o autor da Nova Aliança, o Cordeiro que seria sacrificado - a lavar os pés dos discípulos - Jo 13:5. Jesus ensina que o ato serviçal e a ser seguido no meio dos seus seguidores, é uma exigência  da Nova Aliança em todos que farão parte da Ekklesia. Não é somente uma forma de lembrança, o que Ele fez, mas o que devemos fazer  seguindo o  mesmo exemplo.  

Segundo,. Jesus em alguns momentos de sua peregrinação missionária, comentou sobre este assunto: " ameis uns aos outros"- Jo 13:34;  outro ressalto da exigência da Nova Aliança. A graça de Deus não é eficaz se não é horizontalizada em nosso meio. Amar é compreender as limitações que cada semelhante possui e quanto se pode cooperar em supri-las. Jesus trilha o caminho do maior ato de amor que se pode existir - o amar  a humanidade e morrer por ela. "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos" Jo 15:13. Este aspecto do ensino de Jesus é na maioria das vezes enxergado com muita compaixão da parte dos homens por aquilo que Deus fez por nós; mas sem nenhuma compaixão quando deve partir de nós para com o meu semelhante.  

Terceiro, A Nova Aliança  requer integrantes que vá além do nível cognoscível. Intelectuais da Palavra é o que mais floresce nesta geração. A geração de Jesus também comportou uma identidade farisaica. O amor a ser dispensado a Cristo- Jo 14:21 demanda guardar τηρῶν) em obediência o que Deus instituiu como mandamentos. Aqui se encontra a ênfase de uma vida que busca a Deus e deseja se alinhar com a Sua
vontade.

A grande assertiva é que a Páscoa tem se tornado memória passada - do que fez Jesus e não memória 
presente - do que fazer eu. Ritualizou-se,  institucionalizou-se e tornou-se uma versão morta  (in memoria)
na concepção da palavra no meio da igreja. Eu e todos nós, como integrantes da Nova Aliança, devemos 
dar graça pelo que Páscoa trouxe a nós (Paz -Verdade - Espírito Santo), estes são indicativos (eu tenho);
entretanto,  deve-se pesar, se sua exigência faz parte do cotidiano de vida em nós. (Humildade - Amor - 
Obediência), estes são imperativos (tenhamos nós) para com Deus e para com os homens.