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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O CORAÇÃO DA TEOLOGIA: o ser para fazer - PARTE FINAL

A teologia de Romanos joga foco para a realidade de vida. Ao escrever a carta, Paulo não teve nenhuma pretensão, em traçar uma teoria meramente religiosa para a vida de seus ouvintes.Os capítulos. 12, 13 e 14 são uma realidade disto: as cores  da  paleta  da teologia que justifica o homem unicamente pela fé, ganha contorno na reconciliação do pecador com Deus e doravante exige a  evidência da santidade prática nas categorias de servos, cidadãos e irmãos.

Analise bem, estas cores das exigências da matriz teológica e veja se não são integrantes  do contexto que nós todos vivemos. A santidade age no campo da ética dos relacionamentos com os nossos semelhantes, e que nestes dias esta sendo crucificada em troca de um viver alienado a Deus ao próximo e a nós mesmo. 
O alerta para viver em santidade tem logo início no cap 12;1-2. mostrando que o evangelho que justifica requer entrega incondicional ao Senhor. Paulo está pensando como um bom judeu, no sacrifício especificamente na   oferta de holocausto ( viva, santa e agradável), com um objetivo específico de transformação da mente, de tudo o que produz um desconforto espiritual,, e que tem suas raízes na  permissividade de uma sociedade serviçal as hordas do mal.

A finalização da carta aos Romanos se faz em duas etapas. O  capítulo 15 é um pequeno relato paulino de seguir para novos campos de evangelização. Paulo já houvera cumprido sua missão na Asia e redondezas na plantação de igrejas.Ele carrega o desejo, mais do que nunca, de seguir para a Espanha e fazer em Roma, um "pit stop" para conhecer a igreja que não nasceu de suas entranhas. Cabe aqui ressaltar que a igreja em Roma surge de um ajuntamento de convertidos, possivelmente da mensagem petrina em Atos e que posteriormente foram para capital do Império e fundaram uma grei mista de judeus e gentios. Paulo a chama de santa  exatamente por se encontrar debaixo das barbas de um governo político que tinha César como  Kuryos e é exatamente esta expressão, direcionada somente ao Imperador Romano, agora é atribuída a Cristo pela igreja. Por isso, a expressão "poder do evangelho" era uma forma de conscientizar a comunidade cristã do miraculoso poder de Deus em oposição ao poder do Império.

O capítulo 16, eu o chamo de galeria missionária. Reconhecimento e saudações a vários irmãos que durante sua vida ministerial contribuíram com a expansão da igreja. Possivelmente, faziam parte da liderança na igreja de Roma. A crítica textual acha que este fechamento da carta não faz parte do todo, já que no capítulo 15 é detectado três doxologias, ou seja,  término da carta
A pergunta é: por que existem tais doxologias? Supostamente acréscimos posteriores. O capítulo 16, fica então numa posição de xeque se Paulo está se referindo a este grupo como integrantes da igreja em Roma ou não. Possivelmente, este seja um texto endereçado a igreja de Efesos. Porém, em nada modifica a riqueza que o capítulo 16 deixa transparecer. Nele se reconhece os dons de todos, um indicativo da cooperatividade no Reino de Cristo. expõe o amor  a todos, um indicativo do pastoreio paulino na visitação, cuidado, educação e pregação.
Isto nos leva a concluir que a capacidade de Paulo de gerar uma teologia antropológica se via na evidente  qualidade de cristãos, trabalhadores do Reino e amigos que ele conduziu para a justificação e a santificação. . 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A MISERICÓRDIA: a predestinação divina para todos - PARTE IV



Tendo finalizado toda a teologia da salvação no capítulo 8, Paulo dedica um tempo específico nos  capítulos 9, 10 e 11, para falar sobre Israel. Para entendermos melhor este retorno a nação israelita, não podemos perder a visão que a carta é endereçada para os gentios e judeus que compunham a igreja estabelecida em Roma no primeiro século.

Nestes capítulos, Paulo se refere aos seus conterrâneos mostrando o valor da nação de Israel. Os judeus não tinham mais como contestar sua exposição teológica quanto a salvação por meio da justificação pela fé.  A exclusividade de  Israel, impunha aos gentios uma decisão unilateral na aderência salvífica pela lei judaica, porém o plano de Deus da inclusividade de todas as nações apontava para o ato de soberania de Deus em Suas ferramentas amorosas (misericórdia) e não pelas ferramentas da nação Israelita (legalidade  religiosa).

Os judeus fizera da eleição, missão propagadora da mensagem redentiva a todos os homens (gentios e judeus), a salvação de poucos homens (judeus) Assim, Israel fugira da perspectiva de separados para servir os propósitos misericordiosos de Deus  à separados para defender um judaísmo regado de interpretações rabínicas.

Nestes capítulos,  Paulo argumenta com eles que Deus tem misericórdia de quem Ele quer. A misericórdia divina não era uma exclusividade dos judeus Carece entender aqui estas palavras. Os judeus se colocavam numa posição de melhores que todos homens em sua moralidade religiosa ( o que Paulo desmistifica no cap. 2 da mesma missiva), mas enaltece o valor deles, quando os lembra da origem da lei, dos profetas e do próprio Cristo.

Em nenhum momento, os capítulos estão em defesa de uma predestinação salvífica. A soberania de Deus se mostra amorosa a humanidade caída independentemente ser judeu ou gentio -  Ele tem misericórdia de quem Ele quer - é uma expressão redentiva e extensiva a humanidade em pecado Não há diferenciação. Todos são alcançados por Sua misericórdia.
Isto era o ponto de tensão entre a justificação pela fé e as interpretações rabínicas -  "Ele (Deus) tem misericórdia de quem Ele quer", e não  "de quem eles (os judeus)  achavam que Deus deveria ter".

 Entretanto, um ponto fundamental deve ser destacado aqui - a responsabilidade do homem, Ela deve se fazer aliada a misericórdia divina para a justificação em Deus -cap 10:9.  No exemplo de (Jacó - como nação de Israel), Paulo explica que somente a obra redentiva de Cristo os incluíram dentro desta misericórdia e não por suas obras salvíficas; careciam estes também assumirem a responsabilidade pela fé na obra de Cristo.  Já  (Esaú e Faraó) personificam  a rejeição da obra redentiva de Cristo  pelas suas obras.

Sintetizando, o desejo de Paulo era que tudo isto fosse anátema pelo amor de seus compatriotas religiosos. Entretanto, a realidade era que as obras dos judeus não alcançariam a justificação, mas a fé  em Cristo Jesus os levariam alcançar a justificação.  Segue....


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ROMANOS: a santidade é um relacionamento no agora e no porvir com Deus - PARTE III

O capítulo 8 tem início com clamor de vitória "agora nenhuma condenação há...."Este é o ponto ápice  que Paulo deseja chegar com a questão da justificação por meio da fé. O objetivo do evangelho na vida do cristão não é somente pontual, ou seja, ser perdoado e tornado justo. A justificação arremete a todos a busca da santificação. 
O viver "segundo o Espírito" é agora a condição pelo qual o Senhor deseja que todos cheguem. Mas à frente escrevendo aos Tessalonicenses no cap 5: vs 12 em diante, exorta a condição holística alcançada na santificação  "espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do Senhor".O cap 8:11 a santificação não é um mérito de nossa bondade, ou religiosidade, Paulo diz que "Jesus habita em nós". Isto implica em dizer que apesar de fazermos o uso dos meios da graça (oração, contemplação, leitura, louvor etc) a santificação é um estado que o "eu" morre, e agora, Cristo domina a vida do cristão.Lembra de Gálatas 2:20? 

Então, santidade nesta explanação paulina, é simplesmente andar segundo o Espírito de Deus, segundo a Sua verdade, segundo a Sua vontade e segundo a Sua direção. Não adianta nós escondermos de Deus tal condição, ou seja, se estamos andando segundo o Espírito ou não. No vs. 27 ele comenta "que Ele examina os corações e nos ajuda em Sua intercessão." 

Que grande plano Deus dispensou a todos nós, a fim de que pudéssemos estar enquadrados naquilo que se encontra na eternidade, e que nenhum de nós temos a mínima capacidade de poder entender o estado planificado por Deus para que todos alcancemos a Sua presença na eternidade. Há um cântico no vs 31 em diante, que ao mesmo tempo que é inspirador, também é uma reflexão para que todos possamos entender  que perigos no trajeto da vida podem nos fazer sucumbir diante diante da proposta divina para homem. Paulo vai declinando situações e eu e você podemos hoje contextualizar. O que pode nos separar de Deus?

Com certeza, com respeito a Ele - nada. Mas e nós? O mundo que vivemos hoje é um mundo anti-Deus. Faz de tudo para anular a veracidade divina,  a Sua verdade e o Seu amor pela humanidade por meio de Seu Filho. É o mundo que se volta para andar naquilo que é carnal, no que seca o coração e obscurece a mente. Mas uma vez, o vs 1, o alerta se faz: "não há condenação para os que andam segundo o Espírito", mas o andar segundo a carne a condenação já é uma realidade estabelecida agora e no porvir. 

Segue....

quinta-feira, 30 de julho de 2015

ROMANOS: A Graça como dispositivo da Justificação e Santificação - PARTE II

A explanação, quanto a questão da graça, é finalizada no capítulo 5. Sua análise é uma comparativa com o primeiro homem - Adão e o segundo homem - Cristo. Paulo irá  demonstrar que o pecado e a morte se encontram em todo o ser humano, pois todos descendem de Adão. O importante é que a graça é demonstrada pelo amor de Cristo com a humanidade e somente por Ele houve a oportunidade de redenção. A graça é o dispositivo aberto por Deus para trazer o homem novamente a sua presença. Esta oportunidade é vigente até a volta de Cristo ( Παρουσία, "presença")  ou a chamada ao retorno á presença de Deus (glorificação). 
Por isso, que no capítulo 5 elimina qualquer possibilidade de salvação por méritos humanos. É única e exclusivamente por meio do ato vicário de Cristo. Todo homem nasce acorrentado no cinturão de Adão e precisa tomar a decisão de mudar tal situação que o coloca em condenação eterna. É o que Paulo fala em Rm 3:23 "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus"

Adão é todos nós, na condição do velho homem (termo que é pertinente em algumas missivas de sua teologia), mas "em Cristo" é todo o homem com uma vida nova (ou vida espiritual) que no grego significa Zoe. Paulo irá tomar, de forma significativa, a expressão vida nova para mostrar que a justificação pela fé faz do homem nova criatura e consecutivamente alguém com uma vida transformada por Deus.

O capítulo 6, mergulha  por completo na questão da santificação, Ao fazer uso da expressão - andemos em novidade de vida  no vs. 4;   demonstra que  o pecado não deve mais reinar vs. 12 na vida do cristão. Não é uma questão de poder co-existir lampejos de atividades pecaminosas na vida do convertido, Não! A ideia é imperativa, não reine mais. Isto caracteriza uma ação de rompimento e ao mesmo tempo de vigilância da vida espiritual em estado permanente. Em suma, tais observâncias são as condições sine qua non para o que se irá expressar no vs. 14 " o pecado não terá domínio sobre vós". Isto nada mais significa que a santidade  manifestada na prática de vida do  convertido.

O capítulo 7, irá trazer um entendimento sobre "a mortificação do pecado em nós" ao fazer uso da lei mosaica. O pecado enquanto vivo na vida da pessoa, a lei (ou Palavra de Deus) irá acusá-lo porque esta é a função da Palavra, ou seja, mostrar o estado em que o homem se encontra (carnal)  e ao mesmo tempo levá-lo ao retorno do Seu Criador (santo). Porém, a morte do pecado na vida de qualquer pessoa não é um ato de simplesmente de se almejar - veja os versos 15 e 16 e ss. O capítulo 7,  é o estado do homem natural - governante de sua própria vida - note quantos vezes o pronome "eu" e o verbo na primeira pessoa do Indicativo são enfatizados neste texto. A conclusiva é - "Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte" -vs 24.

Continua.....

domingo, 26 de julho de 2015

ROMANOS: Uma breve síntese de como se encontra a humanidade e como Deus, no seu imenso amor, a resgatou por meio de sua imensa graça. - PARTE 1


Os capítulos 1 e 2 coloca a humanidade, sem exceção, debaixo de condenação eterna. A depravação herdada de Adão não fez exceção em nenhum ser humano - nem a  gentios e a nem judeus. O pecado é um agente corrosivo que não escolhe religião ou nacionalidade, além dele obscurecer aquilo que é patente a todos da criação - que existe um Deus formador de tudo. 

Paulo alerta que esta condição em que se encontra o homem (pecado) e automaticamente exclui Deus de sua coexistência, leva Deus ir acumulando ira para o dia final. Simplesmente, o homem vai depositando, em conta a pagar, para no juízo acertar com Deus. O estado do pecado, na análise paulina, é cada vez mais corrosivo e faz do homem um ser totalmente entregue aos seus desejos e paixões. (Veja o final do capítulo um). 

Porém, antes, logo no início do primeiro capítulo, Paulo irá apresentar o evangelho como o poder de Deus, porque somente nesta condição é que o homem poderá ser conduzido novamente a um estado de restauração diante da presença do Seu Criador.

Os capítulos 3 e 4 irão apresentar para toda a humanidade, que a salvação é somente uma condição de justificação pela fé. Não existe outros atalhos humanísticos, religiosos, políticos, sociológicos e etc que trará o homem à condição de justificação diante de Deus.

Justificar é tornar o homem isento de seus pecados e eliminar a culpa que todos trazem diante de Deus. Então, a justificação não somente perdoa, mas também elimina a culpa (Col. 2:14) como imputa em todos nós a condição de justos diante de Deus. A justiça não é pelo mérito humano, mas pelo que Cristo, em Sua propiciação, fez pela humanidade indistintamente. 

Ao chegar ao capítulo 4, Paulo faz a todos verem que isto é produzido somente pela graça divina. Desta forma, a graça é algo dispensado pelo amor que Deus sempre teve por sua criação sublime (João 3:16). Isto é tão profundo que Paulo em 4:8 comenta: "Bem aventurado é o homem que Deus não imputa pecado". Simplesmente, pelo fato da graça ter alcançado àqueles que se dispuseram a receber o evangelho do poder de Deus e não a religião pagã ( no caso dos gentios), muito menos da religião moralista ( no caso dos judeus). 
Que esta pequena síntese destes 4 primeiros capítulos possa nos ajudar no estudo na carta aos Romanos. Segue....

sexta-feira, 3 de abril de 2015

PÁSCOA - a ortopraxia desejada

Mais uma vez nos aproximamos do evento mais significativo do cristianismo - Páscoa. Certamente, as comemorações seguirão a  liturgia das comunidades religiosas ou a crença popular-materialista  A igreja reunirá para participar desta comunhão "in memória" palavras expressas unicamente no evangelho de Lucas. A crença popular-materialista seguirá suas tradições e se inclinará aos produtos comercializados comemorativos de páscoa. 

A comemoração da Páscoa,onde ocorre a ceia com os discípulos num ambiente caseiro, conduz a duas vertentes a serem trazidas cativas nos corações daqueles que seguiam Jesus, e dos posteriores "Ekklesios" que surgiriam na história da igreja. - a aliança que Deus estava estabelecendo por meio de sua morte; citada nos Sinópticos  e a sintonia que a vida deveria ter com a Nova Aliança καινὴ διαθήκη) exposta em cinco capítulos do evangelho de João a começar do capítulo 13.

Páscoa nunca foi simplesmente um ritual para lembrar o que Cristo fez na cruz.  Sempre foi muito mais do que isto;  Páscoa traz  exigências a todos os que integram a nova aliança - vocifera Cristo na comunhão da ceia. Exatamente no evangelho de João que Jesus discorre o alcance máximo de todo aquele momento aos seus discípulos. Primeiro, que a vida deve ser conduzida  cativa em humildade. Naquele cenário de comemoração da Páscoa, se encontrava o autor da Nova Aliança, o Cordeiro que seria sacrificado - a lavar os pés dos discípulos - Jo 13:5. Jesus ensina que o ato serviçal e a ser seguido no meio dos seus seguidores, é uma exigência  da Nova Aliança em todos que farão parte da Ekklesia. Não é somente uma forma de lembrança, o que Ele fez, mas o que devemos fazer  seguindo o  mesmo exemplo.  

Segundo,. Jesus em alguns momentos de sua peregrinação missionária, comentou sobre este assunto: " ameis uns aos outros"- Jo 13:34;  outro ressalto da exigência da Nova Aliança. A graça de Deus não é eficaz se não é horizontalizada em nosso meio. Amar é compreender as limitações que cada semelhante possui e quanto se pode cooperar em supri-las. Jesus trilha o caminho do maior ato de amor que se pode existir - o amar  a humanidade e morrer por ela. "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos" Jo 15:13. Este aspecto do ensino de Jesus é na maioria das vezes enxergado com muita compaixão da parte dos homens por aquilo que Deus fez por nós; mas sem nenhuma compaixão quando deve partir de nós para com o meu semelhante.  

Terceiro, A Nova Aliança  requer integrantes que vá além do nível cognoscível. Intelectuais da Palavra é o que mais floresce nesta geração. A geração de Jesus também comportou uma identidade farisaica. O amor a ser dispensado a Cristo- Jo 14:21 demanda guardar τηρῶν) em obediência o que Deus instituiu como mandamentos. Aqui se encontra a ênfase de uma vida que busca a Deus e deseja se alinhar com a Sua
vontade.

A grande assertiva é que a Páscoa tem se tornado memória passada - do que fez Jesus e não memória 
presente - do que fazer eu. Ritualizou-se,  institucionalizou-se e tornou-se uma versão morta  (in memoria)
na concepção da palavra no meio da igreja. Eu e todos nós, como integrantes da Nova Aliança, devemos 
dar graça pelo que Páscoa trouxe a nós (Paz -Verdade - Espírito Santo), estes são indicativos (eu tenho);
entretanto,  deve-se pesar, se sua exigência faz parte do cotidiano de vida em nós. (Humildade - Amor - 
Obediência), estes são imperativos (tenhamos nós) para com Deus e para com os homens.  




quinta-feira, 12 de março de 2015

AOS MEUS ALUNOS - UMA REFLEXÃO SOBRE SEU CHAMADO



Trago neste noite, uma pequena reflexão para os seus corações, não falo como um professor do Seminário, mas como um pastor que ensinou a teologia para a vida e agora , peço  que "tu porém" faças valer a pena no exercício prático de seu ministério com a igreja. Não sei se isto trará conforto ou incômodo em seus corações ao notar  a responsabilidade que doravante estarão assumindo em suas vidas - o dedicá-las  ao  pastoreio da igreja de Cristo. 

Entendo plenamente, que nem todos vivenciarão esta empreitada. Isto também não diminuirá a responsabilidade  do seu compromisso com o evangelho e com as vidas que lhe são confiadas no transcurso de sua história. Quero apenas confinar-me, neste pequeno discurso, no cuidado com o rebanho do Senhor, como se todos os tivessem à frente de um.

Em primeiro lugar, o conduzir o rebanho do Senhor não se faz no poder de jurisdições eclesiásticas. Ao longo da história, este caminho trouxe danos internos e cisões na igreja, que fizeram dos que a conduziram,  a busca pelos interesses do homem e não de Deus.
Conduzir o rebanho do Senhor tem a sua 1ª premissa  no que Paulo diz a Timóteo: "Fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus" II Tim 2:1
Lembrar que toda a direção e sustentação do pastoreio da igreja, provém da capacidade de entender que esta missão não é mérito seu, não é por força sua, não por capacidade sua, mas na submissão única e exclusiva que te faz excluir o centralismo do eu e entroniza  a  graça que  Ele concede .

Em segundo lugaro equipar o rebanho do Senhor,  não se  faz nas características de liderança  que o mundo passou a ditar como sendo o  melhor e que se tornou comum no seio da igreja evangélica.
A carga de qualificação para ser um pastor  hoje, passou ser a exigência do perfil desejado para conduzir o rebanho. Ser líder, no scanner empresarial,  como já se cognomina  algumas mentalidades evangélicas, requer valores de produção  - como administrar, criar estratégias,  gerenciar o mercado e gerar produto.
Paulo novamente, chama atenção que o requisito pelo qual  se deve primar a incumbência do pastorado  é que "o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra" II Tim 3:17.
Esmerar-se na Palavra  deve ser qualificação  "top" da vida do pastor e também a extensão  objetiva em que deve dar  à  igreja na presença do Eterno .
Qualificação que não somente requeira bancos de Seminários, que pode transportar a muitos a mecanicidade nauseante  de uma vida apática com Deus,  porém que  produza o caminho de cruz  em sua vida  - te ensinando, te replicando, te corrigindo  e te instruindo em todo tempo para que vejas  que nada és em toda boa obra que fizeres.

Em terceiro e último lugar, o reproduzir do rebanho do Senhor não se faz no ativismo religioso, na febre do templismo e no apoio aos recursos financeiros.
Vivemos em dias em que estas trilhas são facilmente abraçadas no ministério de muitos pastores. Há uma pandemia quase generalizada  que estes são o tripé para uma bem sucedida vida do pastor e do crescimento da igreja.  Infelizmente, estas coisas se tornaram vias marginais desviando por completo o propósito pelo qual Deus o comissiona em Sua igreja.
Paulo mais uma vez nos dá o norte "pregues a Palavra, instes a tempo e fora de tempo..." II Tim 4:2
O compromisso aqui é pregar a Palavra. Alimento!  Pastores estão doente porque não se alimentam da Palavra. A igreja se encontra doente porque não recebe o alimento da Palavra. Pregar a Palavra é condição "sine qua non" de seu  compromisso com a exposição bíblica  e as verdades eternas para o corpo de Cristo.

Então meus alunos formandos, que estas palavras fiquem cravadas em seus corações, não simplesmente porque alguém as disse para vocês. mas porque o Senhor as requererá de ti. Lembre-se que a igreja não é propriedade de ninguém, a não ser dAquele que morreu por ela. O chamado a guiá-la, enquanto o Senhor não vier, deve ser feita neste tempo - agora nas observâncias acima; quando o Senhor vier, a tomará definitivamente para Si, e a conduzirá por toda eternidade sem as nossas interferências.

 28 de fevereiro de 2015
 Eduardo Rodrigues da Silva
Paraninfo da 1ª turma de formandos do STNB em Hortolândia - Brasil