quinta-feira, 30 de julho de 2015

ROMANOS: A Graça como dispositivo da Justificação e Santificação - PARTE II

A explanação, quanto a questão da graça, é finalizada no capítulo 5. Sua análise é uma comparativa com o primeiro homem - Adão e o segundo homem - Cristo. Paulo irá  demonstrar que o pecado e a morte se encontram em todo o ser humano, pois todos descendem de Adão. O importante é que a graça é demonstrada pelo amor de Cristo com a humanidade e somente por Ele houve a oportunidade de redenção. A graça é o dispositivo aberto por Deus para trazer o homem novamente a sua presença. Esta oportunidade é vigente até a volta de Cristo ( Παρουσία, "presença")  ou a chamada ao retorno á presença de Deus (glorificação). 
Por isso, que no capítulo 5 elimina qualquer possibilidade de salvação por méritos humanos. É única e exclusivamente por meio do ato vicário de Cristo. Todo homem nasce acorrentado no cinturão de Adão e precisa tomar a decisão de mudar tal situação que o coloca em condenação eterna. É o que Paulo fala em Rm 3:23 "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus"

Adão é todos nós, na condição do velho homem (termo que é pertinente em algumas missivas de sua teologia), mas "em Cristo" é todo o homem com uma vida nova (ou vida espiritual) que no grego significa Zoe. Paulo irá tomar, de forma significativa, a expressão vida nova para mostrar que a justificação pela fé faz do homem nova criatura e consecutivamente alguém com uma vida transformada por Deus.

O capítulo 6, mergulha  por completo na questão da santificação, Ao fazer uso da expressão - andemos em novidade de vida  no vs. 4;   demonstra que  o pecado não deve mais reinar vs. 12 na vida do cristão. Não é uma questão de poder co-existir lampejos de atividades pecaminosas na vida do convertido, Não! A ideia é imperativa, não reine mais. Isto caracteriza uma ação de rompimento e ao mesmo tempo de vigilância da vida espiritual em estado permanente. Em suma, tais observâncias são as condições sine qua non para o que se irá expressar no vs. 14 " o pecado não terá domínio sobre vós". Isto nada mais significa que a santidade  manifestada na prática de vida do  convertido.

O capítulo 7, irá trazer um entendimento sobre "a mortificação do pecado em nós" ao fazer uso da lei mosaica. O pecado enquanto vivo na vida da pessoa, a lei (ou Palavra de Deus) irá acusá-lo porque esta é a função da Palavra, ou seja, mostrar o estado em que o homem se encontra (carnal)  e ao mesmo tempo levá-lo ao retorno do Seu Criador (santo). Porém, a morte do pecado na vida de qualquer pessoa não é um ato de simplesmente de se almejar - veja os versos 15 e 16 e ss. O capítulo 7,  é o estado do homem natural - governante de sua própria vida - note quantos vezes o pronome "eu" e o verbo na primeira pessoa do Indicativo são enfatizados neste texto. A conclusiva é - "Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte" -vs 24.

Continua.....

domingo, 26 de julho de 2015

ROMANOS: Uma breve síntese de como se encontra a humanidade e como Deus, no seu imenso amor, a resgatou por meio de sua imensa graça. - PARTE 1


Os capítulos 1 e 2 coloca a humanidade, sem exceção, debaixo de condenação eterna. A depravação herdada de Adão não fez exceção em nenhum ser humano - nem a  gentios e a nem judeus. O pecado é um agente corrosivo que não escolhe religião ou nacionalidade, além dele obscurecer aquilo que é patente a todos da criação - que existe um Deus formador de tudo. 

Paulo alerta que esta condição em que se encontra o homem (pecado) e automaticamente exclui Deus de sua coexistência, leva Deus ir acumulando ira para o dia final. Simplesmente, o homem vai depositando, em conta a pagar, para no juízo acertar com Deus. O estado do pecado, na análise paulina, é cada vez mais corrosivo e faz do homem um ser totalmente entregue aos seus desejos e paixões. (Veja o final do capítulo um). 

Porém, antes, logo no início do primeiro capítulo, Paulo irá apresentar o evangelho como o poder de Deus, porque somente nesta condição é que o homem poderá ser conduzido novamente a um estado de restauração diante da presença do Seu Criador.

Os capítulos 3 e 4 irão apresentar para toda a humanidade, que a salvação é somente uma condição de justificação pela fé. Não existe outros atalhos humanísticos, religiosos, políticos, sociológicos e etc que trará o homem à condição de justificação diante de Deus.

Justificar é tornar o homem isento de seus pecados e eliminar a culpa que todos trazem diante de Deus. Então, a justificação não somente perdoa, mas também elimina a culpa (Col. 2:14) como imputa em todos nós a condição de justos diante de Deus. A justiça não é pelo mérito humano, mas pelo que Cristo, em Sua propiciação, fez pela humanidade indistintamente. 

Ao chegar ao capítulo 4, Paulo faz a todos verem que isto é produzido somente pela graça divina. Desta forma, a graça é algo dispensado pelo amor que Deus sempre teve por sua criação sublime (João 3:16). Isto é tão profundo que Paulo em 4:8 comenta: "Bem aventurado é o homem que Deus não imputa pecado". Simplesmente, pelo fato da graça ter alcançado àqueles que se dispuseram a receber o evangelho do poder de Deus e não a religião pagã ( no caso dos gentios), muito menos da religião moralista ( no caso dos judeus). 
Que esta pequena síntese destes 4 primeiros capítulos possa nos ajudar no estudo na carta aos Romanos. Segue....