segunda-feira, 30 de junho de 2008

OS PROVIMENTOS DA MORTE DE CRISTO PARA A HUMANIDADE


Texto: Mateus 27: 45-56

Introdução: Pouco se tem escrito, ensinado e pregado sobre a cruz. Um dos melhores livros que li sobre a cruz foi o de John Stott entitulado "Cruz de Cristo", que trouxe na citação de Stephen Neil , "... a morte de Cristo é o ponto central da história, para aí todas as estradas do passado convergem, e daí saem todas as estradas do futuro", a centralidade da história e da teologia.
Também cruz não tem sido alvo de ensinamentos. A teologia da facilidade e do gloumor pecorre os corredores das igrejas. A via sacra da atualidade é facilitada pelo alívio de não possuir a cruz no seu trajeto. Também, pouco se tem ouvido a mensagem da cruz, pois cruz indica morte do velho homem. Ir para cruz é algo que a geração da atualidade desconhece, pois desconhece a capacidade de mortificar a si mesmo.

De um outro lado, as ênfases trazidas, na atualidade, pelos filmes sobre Jesus deixam escapar muitas das realidades sobre o verdadeiro fato da cruz. O filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson retrata o sofrimento exacerbado de Cristo e revela mais a crueldade dos algozes do que o Deus-homem se entregando por sua própria vontade para demonstrar que a cruz marcava a história do reencontro de Deus com o homem.

Não estou dizendo que o filme não tenha sua utilidade evangelística, porém não sacia as verdadeiras necessidades do homem no que foi proferida na cruz. A cruz foi mais do que um lugar de sofrimento, ela foi a providência divina para restaurar o coração da humanidade, por meio do perdão e justificação.

Ligação: Assim, na cruz podemos retratar 3 situações que Jesus deixa patente para que a cada dia o homem se lembre.

TROUXE ACESSO A DEUS –v-51

Ao olharmos para o VT, uma das situações que encontramos nos rituais da Velha Aliança era que o povo ficava à margem.
Somente um homem (Sumo -sacerdote) fazia o sacrifício e expiação nos santos dos santos. Não existia nenhuma possibilidade do contato pessoal do povo com Deus. O processo era terceriarizado.
. Hb. 10:20 "para entrar...pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou pelo véu" Rasgar traz o sentido de dividir em duas facções, ou seja, os que tomam caminho a Deus e os que não tomam este caminho
Desta forma, o sacrifício de cruz trouxe de volta o nosso relacionamento com Deus. Podemos a qualquer hora, em qualquer lugar acessar a Deus.

TROUXE VIDA –v-52

Uma outra expressão que vemos o autor relatar é que os sepulcros foram abertos e muitos ressuscitaram.
Esta é a segunda evidência que a cruz deixa transparecer para nós em relação ao seu propósito. Ela trouxe vida.
Na realidade quando o cristão olha para a cruz, ele não vê um lugar de amargura, sofrimento e desprezo. Isto é a cena dos que vislumbraram somente a superficialidade da mensagem - a morte física na cruz.
Jesus é bem claro que a cruz é lugar de ressurreição. Todos que se deixam impregnar por ela na pessoa de Cristo re-floresce. Onde havia morte passa a existir vida. Onde havia pecado passar a existir pureza, onde havia inimizade passa a existir amizade. Onde havia perdição passa existir salvação.
É desta maneira que Jesus, através da cruz, faz com os sem vida, sem esperança, sem direção ressurjam para uma nova possibilidade de seus ideais. A cruz nunca poderá ser o lugar prioritário de dá a morte, mas o lugar divino de dar a vida.

TROUXE TEMOR –v-54b

A última situação que a cruz deixa transparecer é o senso de temor demonstrado pelo centurião.
Durante 3 anos, Jesus pregou e ensinou ao povo os mandamentos de Deus. Fez milagres em seu meio. Repeliu Satanás e seus anjos, enfim demonstrou claramente que Ele era o Filho de Deus ao efetivar o ato que coroa o seu propósito – sua morte.
Porém, sempre foi do homem resistir a Deus. O processo que se inicia no jardim do Édem já era uma forma de rejeição a Deus que tomou rumo em proporções desastradas.
Os próprios judeus que conheciam os mandamentos sobre o Messias, não o identificaram como o Filho de Deus. Mesmo depois que a Igreja é estabelecida em Atos, houve controvérsias quanto a esta questão.
Para o mundo não cristão (principalmente), Filho de Deus se tornou uma expressão corriqueira sem significados em sua etimologia e poder. É bom lembrar que a expressão do centurião revela uma preocupação: o temor por ser tarde de mais.

A rejeição da cruz revela que ainda hoje milhares não conseguem ver o que Cristo fez e só reconhecerá isto quando o retorno de Cristo se fizer real. Para os que se tornam somente observadores, será alvo de terror, pois o ajuste de conta será uma eternidade longe de Deus.

Conclusão: A cruz não deseja revelar o“top line” do sofrimento do Messias. Ao contrário, revela-se como o meo da graça de Deus para com o homem. Aceitá-la implica na retificação da sentença de morte, rejeitá-la indica a ratificação dela.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

SEMINÁRIO TEOLÓGICO NAZARENO DO BRASIL: rompendo os mares do Atlântico

Posso agora mais do que nunca compreender como Deus trabalha na vida de seus filhos. As impossibilidades e as irrealidades são sempre as sombras que nos acompanham em nosso trajeto do serviço com Deus. Muitas das vezes sonhamos, mas achamos que os nossos sonhos são meramente impossíveis ou simplesmente a visualização de uma imagem do real somente no campo do abstrato.

Outubro de 2007 tive o prazer de conhecer e travar contato com e o Rev. Adérito Ferreira, pastor da igreja da Praia em Cabo Verde, que juntamente com o Rev. David Araújo superintendente de Cabo Verde estavam em visita ao Brasil. Ambos buscavam tornar possível e real o aperfeiçoamento dos pastores caboverdianos, ao abrir espaço para uma chegada do Seminário Teológico do Brasil com o bacharel em teologia. O intuito era fazer avançar os estudos ministeriais de cada pastor local. O Rev. Adérito Ferreira e eu conversarmos sobre a possibilidade de se realizar uma parceria na Educação Teológica entre Brasil e Cabo Verde. O trocar de idéias foi rápido. Confesso que naquela altura e por ser breve o momento, já que estávamos á porta do retiro de pastores em Serra Negra, a ligeireza da prosa sobre uma proposta de levar o bacharel em teologia aos irmãos da costa da África indicava que mais seria um anseio passageiro que se dissiparia com a viagem de retorno a Cabo Verde.

Três meses depois estávamos em Cabo Verde. Em fevereiro de 2008 dava início à primeira turma de bacharel em teologia na cidade da Praia. Quarenta e um digníssimos pastores e esposas, já com larga experiência ministerial, se colocavam à linha de frente para dar continuidade em seus estudos ministeriais. A primeira reação que tive foi como Deus pode fazer das impossibilidades em possibilidades e tornar em realidades as irrealidades. Quem diria que isto poderia acontecer ao tornar real e possível uma parceria educacional entre povos tão distantes apesar de se enlaçarem em raízes lingüísticas e históricas.

No presente momento, caminhamos na última etapa de um programa inusitado, onde os alunos estão finalizando suas pesquisas acadêmico-práticas e que terão seu coroamento com a formatura na cidade de Mindelo - São Vicente no dia 16 de agosto de 2008 juntamente com a Assembléia Distrital. Este será um dia histórico na Igreja do Nazareno de Cabo Verde.
Este diminuto dossiê acima, vem enfatizar o romper da Educação Teológica fora das fronteiras brasileiras e a capacidade de Deus realizar seus desígnios. Se de um lado a Educação Teológica não possui fronteiras, do outro não existe tempo perdido para Deus. O tempo para ele é a redução da eternidade, assim com a sua elasticidade. O romper o Atlântico com a formação ministerial, coloca em destaque a providência divina nas vidas de quem escolheu procurando em novos tempos e no tempo certo abrir novas perspectivas para uma Igreja qualificada e equipada para o momento histórico chamado globalização.

A Sua presciência nunca deixará de registrar as necessidades dos seus servos, muito menos deixará de lado o prosseguir avante que um povo deve somatizar para que o Reino de Jesus Cristo, em qualquer parte e em qualquer lugar, prossiga com o seu papel kerigmático e soteriológico na vida cosmos. .

Assim, a Educação Teológica se torna a ferramenta de longo e largo alcance na preparação dos ministros em pontos mais remotos do globo e que demonstra em si, os recursos para o aperfeiçoamento dos líderes, a renovação da visão ministerial, a compreensão do mundo pós-moderno, a reestruturação de estratégias eclesiásticas, a reavaliação dimensional do papel da igreja no mundo global e seu consecutivo crescimento e a conscientização que se deve ter que entre a congruência do chamado e unção, a preparação teológica é o alicerce que sustenta as colunas de uma sólida pregação e enriquece o ensino na vida da igreja. .

Gosto da expressão que o apóstolo Paulo usa a este respeito. Seu olhar é voltado para a preparação que o ministro deve possuir com a santa causa do Senhor e demonstra isto numa hermenêutica detalhada e apurada quando diz: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” II Tim 2:15.
Por isso, sinto-me alegre pela possibilidade do Brasil fazer parte deste momento histórico de um país irmão e que contribuiu muito com grandes homens que se espalho pelo mundo a fora, entre ele o próprio Brasil, proclamando a mensagem de Santidade. Portando, poder contribuir com a Educação Teológica em nível acadêmico, correspondeu e respondeu suprir as peculiaridades ministeriais do conhecimento e da prática de vida que os pastores enfrentam nas diversas ilhas.

Tenho por certo, que este avanço não somente se deu pelo programa em sim, mas pela junção de professores com um coração na visão educacional e ministerial da igreja e aqui desejaria agradecer o Rev. Felippe C. Leão, Rev. Vamir Paze, Rev. Durvil Ferro Rocha e Rev.. Dr. Geraldo Nunes Filho por abraçarem tal sonho.. Mas não estaria completo, se o grupo de pastores, de alto nível, não buscasse o interesse no saber e o compartilhar de suas experiências do seu mundus vivendi para que todo o movimento que chamamos Educação Teológica cumprisse o seu papel – “aprender juntamente um com os outros” (Paulo Freire),

À frente esperamos que este grupo de formandos possa vislumbrar uma nova etapa de sua preparação e investimentos para que a nova geração chegue na esperança de um futuro promissor

Dou graças a Deus pelo Rev. David Araújo e o Rev. Adérito Ferreira, dois grandes amigos, por todo o empreendimento que disponibilizaram durante este caminhar de sete meses, não medindo esforços, dedicação e amizade, para que o programa de Educação Teológica pudesse ser uma realidade nas Ilhas de Cabo Verde. A Deus toda honra e glória por aquilo que Ele fez e continuará fazendo no meio de Sua Igreja.
ERSilva
Vice-reitor acadêmico

quarta-feira, 18 de junho de 2008

HISTÓRICO DAS DUAS PRIMEIRAS DÉCADAS DA IGREJA DO NAZARENO


V SEMANA TEOLÓGICA:

Igreja do Nazareno: caminhando para um centenário de santidade, missão e desenvolvimento cristão.

O culto de abertura foi em 11 de agosto de 1959. Foi um evento pleno assistida pelo prefeito e muitos outros oficiais do governo, com a banda do exército providenciando a música. Uma semana de abertura de reuniões noturnas com o Rev. Cobert – evangelista visitante dos EUA, cuminando com uma freqüência de 200 pessoas no fim de semana.
Mais de 85 pessoas responderam ao convite de aceitar a Cristo como Salvador pessoal.
Um edifício de 4 andares de moderna construção foi construído na Av. Francisco Glicério na principal artéria da cidade.

Provisões foram feitas para mais de seis andares. Aqui foi situada a Primeira Igreja do Nazareno, junto com os oficiais, diretor da missão, superintendente distrital Sudeste e CNP.
Cultos tiveram início em uma comunidade Japonesa em SP e negociações foram feitas para se obter uma propriedade na nova capital Brasília. Em outubro de 1959 o trabalho em Belo Horizonte foi oficialmente abeto com o Dr. Willison presente. Em concessão com sua visita a reunião do conselho missionário foi realizada e a primeira igreja foi organizada em Campinas com 14 membros.

No tempo da Assembléia Geral de 1960, o trabalho tinha sido começado por Ronald Denton em um subúrbio da nova capital Brasília. Seus jovens tinham testificado de uma chamada para pregar.. Nos fins daquele ano (1960), o Rev. Jaime e Carolina Kratz juntaram-se a família missionária.

Eles foram seguidos em 1962 por Rev. Robert e Frances Collins que se envolveram nos trabalhos da juventude distrital e no começo da Igreja de Americana.

Anos antes, Rev. Joaquim Lima tinha imigrado de Cabo Verde para a Argentina, onde eles tinham estabelecido à obra em Bahia Blanca. Quando a Igreja do Nazareno veio ao Brasil eles foram convidados para ajuntar-se ao trabalho e tornaram-se o primeiro pastor de língua portuguesa no Brasil. Em 1975 ele tornou-se o Superintendente Nacional do Distrito chave Sudeste.

No começo, o conceito “três altos”: alto-sustento, alto-governo e alto-propagação foram fortemente enfatizados. O assunto de alto-sustento, contudo parecia ser difícil de estabelecer, talvez porque os subsídios missionários para a Igreja e pastores tinham sido esperados, mais por causa dos níveis da inflação.

O fato é que em 1970 apenas umas das 36 igrejas e pontos de pregação tinham atingido o alvo de alto-sustento. Não obstante, o total da membresia tinha alcançado 828 pessoas.
O fato de que havia somente 21 pastores brasileiros em 1970 poderia ter sido causa de preocupação se o implante de novas igrejas tinha que continuar, mas a formatura recente de vários jovens ministros promissores tinha uma perspectiva encorajadora para a igreja brasileira.
Com as várias mudanças de saídas e chegadas dos missionários, em 1973, e a partida do Dr. Mostellers, Rex e Edile Ludwing foram enviados ao Brasil e, em 1975 eles foram designados para abrirem uma área pioneira na região sul. Ela foi organizada com Distrito Sul em 1979.
Na Assembléia Distrital de 1979 em Campinas, o Dr. Eugene Stone, numa cerimônia especial, comissionou o Rev. Stephen e Brenda Heap, junto com Pr. João Artur e Ebe que foram formados recentemente pelo Seminário Instituto Bíblico Nazareno para abrir uma área no Nordeste a 2.200 Km de Campinas. A maior cidade era João Pessoa, capital do estado da Paraíba no extremo leste do estado.
Em janeiro de 1980, os Kratz mudaram-se para Natal, 170 Km ao Norte de João Pessoa para abrir a segunda igreja na nova área. Um grupo de trabalho e testemunho de Oklahoma e Kansas construíram uma igreja atrativa em João Pessoa, a qual foi dedicada em Janeiro de 1981 pelo Dr. Lewis na primeira mini-assembléia distrital.

Em adição aos missionários já mencionados, reconhecimentos devem ser dados aos trabalhos de outros que serviram por tempos curtos: Rev e Sra Roger Maze, Larry Clark, James Bond e Ronald Stamps. Em 1980 o total de membresia destes três distritos organizados eram 2.201, os quais representavam uma média de crescimento de 10% ao ano.

A seguir segue as estatísticas nas quatro áreas do desenvolvimento da Igreja do Nazareno nos cinqüenta anos de sua existência: igrejas membresia, preparação teológica e áreas alcançadas.

Dr. ERSilva
Vice-reitor acadêmico do STNB

MINISTÉRIO: UMA REFLEXÃO PARA OS DIAS DE HOJE

Tenho seriamente pensado neste dias sobre a questão do que realmente significa ministério. Boa parte dos que recebem o chamado de Deus para realizar alguma tarefa em prol do cristianismo está convicto que Deus o designa a desenvolver uma tarefa específica.

Por mais que isto seja uma realidade, a visão quanto o que se significa ministério ficou mutilada neste últimos tempos. Se o chamado nos conduz a cumprir o que denominamos de ministério, creio que é seriamente necessário rever não somente o conceito como a questão prática da atividade de todo o pastor na condução do povo de Deus .

Em primeiro lugar ministério significa no conceito bíblico serviço prestado a Deus ou às pessoas e busca como alvo a edificação do povo almejando maturidade como bem expressa Paulo em Efésios 4:7-16. A partir desta premissa, vejo que realmente o conceito e a ação prática, nos dias de hoje, foram totalmente descaracterizados do fiel significado e da incumbência que o ministério se destina.

Poderia se dizer que por definição, muitos têm no ministério o serviço prestado pela igreja e igreja como instituição. Cabe a instituição servir da melhor forma possível os seus vocacionados, não com o que é plausível da necessidade e dignidade, mas das inconveniências e extravagâncias do que dela se pode tirar. Por isso, o serviço “prestado a Deus” se torna legitimado em sua definição como à proposta do que ela (igreja) tem a oferecer. .Servir não está nem conceitualmente e nem na prática no dicionário sacerdotal de muitos que conduzem à Grei. Aliás, a regra é se servir e ser servido.

Mas o que tem levado os ministros de Deus enveredar por estes caminhos de desequilibro quanto suas responsabilidades em servir a Deus e edificar a igreja? O orgulho, prepotência e incensatez têm sido as vertentes que regem o coração de muitos. Prestam-se a se colocar como deuses intocáveis e fazem do povo sua massa de desejos e satisfação sem nenhum sentimento de culpa ou de erro. A igreja se torna o lugar não de salvação, remissão, perdão e comunhão, mas de angústia, sofrimento, desgosto e alienação de muitos, sem falar na desilusão total de outros que se re-conduzem para o reino das trevas. Quando Phillip Yancey testifica que apesar do que ocorre na igreja ainda continua cristão pode-se perceber a magnitude da declaração. Sua declaração emite simplesmente uma realidade de dois lados: a degradação da identidade do Corpo e a luta dos que formam o Corpo em permanecer fazendo parte do Corpo. O pior disto, que há uma sensação de impotência em muitos que fazem parte deste Corpo, por não ter como re-correr contra acontecimentos patentes e constatáveis que maculam sua identidade, sorvam o povo, estampam a mediocridade de uma religião que não representa a verdadeira igreja de Cristo.

Não se pode representar ministério, por uma prática que se sacia de bens materiais, que o povo se enquadra como coadjuvantes de interesses terrenos e antagonistas nos interesses eternos e que a voz da verdade seja reprimida em nome da submissão incondicional. Eu disse incondicional. Honestidade, prudência, santidade e fidelidade à Palavra são vozes emudecidas por uma incondicionalidade que a igreja deve prestar aos que no ministério se encontram e que ao violar tal exigência se vê como movimentadores de motim, hereges, carnais e opositores ao ungido de Deus.
Realmente é triste constatar que ministério passou a ser a exigência dos caprichos de alguns, que vão dos abusos de autoridade às exigências mirabolantes do materialismo que tem sido a teologia deste século.

O que temos a dizer dos escândalos sexuais, financeiros, abusos de poder que se tem instaurado no contexto da igreja brasileira? Não para por aí., a omissão e encobrimento de pecado também tem sido o manto negro da política da não ofensa e da não instabilidade estrutural. Será este o ministério a ser exercido pelos ministros do evangelho no presente século? Tudo é jogado numa “panela” e tratado em nome da “espiritualidade”. e da boa ética.

Aliás, gosto quando Ricardo Barbosa diz “que precisamos de uma espiritualidade mais teológica, que estabeleça fronteiras, que defina os contornos e que firme os fundamentos” (p.25). Entende-se o porquê de tal preocupação. Precisamos restabelecer os princípios da Palavra e pulverizar o falso ritualismo espiritual que serve de cobertura para a falsa identidade cristã.

Cada um possui uma teologia diferente da salvação, da remissão, do perdão. Cada um possui uma teologia diferente da oferta, do dízimo e do serviço. Cada um possui uma teologia diferente do namoro, do casamento e do divórcio. Cada um possui uma teologia da fé que passou a ser comprovada na conquista de bens e do status quo e não na humildade de entender que fé nada mais é do que a fidelidade perene e incondicional de Deus.com cada um de nós. Cada qual prega e exerce o que quer e o que acha conveniente para o seu próprio ego e por aquilo que almeja absorver do povo. Na realidade é o momento que dita o ritmo da hermenêutica. A manipula para dizer que ela não diz. Tudo serve para ser benção e maldição dependendo dos objetivos a serem alcançados. Não fica muito longe de se vê a perspectiva que Jesus lançou sobre os momentos finais que antecederiam a sua volta. O apóstolo Paulo declinou suas ações práticas contrárias ao evangelho no capítulo 3:1-5 da carta a Timóteo.

Estamos perdendo contornos e as fronteiras já não existem, por isso é difícil estabelecer os padrões de um verdadeiro ministério, de uma verdadeira teologia, e de uma verdadeira vida cristã. Na realidade tudo passou a ser de qualquer forma e feito a representar a expressão da verdade sem nenhum critério para o povo de Deus.
Diante de este quadro revertê-lo somente mediante à luz da Palavra, um sincero aquebrantamento de corações e da verificação humilde de quanto Deus está no meio destas coisas.. Ministros precisam entender que são apenas condutores da mensagem do evangelho entre Deus e o povo. Trazem sobre si a responsabilidade de conduzir, e bem, o povo de Deus no caminho de santidade e de salvação. Cabe conduzir o povo em unidade, cabe conduzir o povo em harmonia, cabe a conduzir o povo no trajeto certo da teologia que os faz a cada dia a viver em Cristo e Cristo neles, na possibilidade verdadeira de uma vida em santidade e serem diferentes por atitude de amor, abnegação, altruísmo, compaixão e acima de tudo por atitudes incondicionais ao verdadeiro Pastor da igreja.

Diante disto, precisamos rever os nossos conceitos e práticas do papel importantíssimo em nossa vida como homens e mulheres vocacionados ao ministério por Deus. Exercer o ministério, talvez comece por rever alguns princípios tais como uma atitude menos autoritária e mais serviçal, menos orgulhosa e mais humilde, menos espiritualista e mais espiritual, menos “eu” e mais os outros e ser menos Deus e mais homem.

Por graça somos o que somos.

Rev. Eduardo R. da Silva
Vice-reitor da FTN – abril de 2008